Orientações
Falando com adolescentes sobre saúde mental
A adolescência tem oscilações que fazem parte do crescimento. O desafio é perceber quando o que se vê deixa de ser “fase” e passa a pedir atenção, e como falar sobre isso.
O que costuma fazer parte
Mudanças de humor, querer mais privacidade, testar limites, se importar muito com o que os amigos pensam, dormir em horários diferentes: tudo isso é comum na adolescência. O cérebro ainda está em desenvolvimento, e essa fase de busca por autonomia é esperada.
O ponto de atenção não é a existência de um comportamento, e sim a intensidade, a duração e o prejuízo que ele causa.
Sinais que merecem atenção
Quando persistem por semanas e afetam a rotina, valem uma conversa com um profissional:
- Queda importante e sustentada no rendimento escolar;
- Afastamento de amigos e da família, isolamento no quarto, largar atividades de que gostava;
- Irritabilidade intensa, explosões, choro frequente ou apatia que não passa;
- Mudanças marcantes no sono ou no apetite;
- Queixas físicas repetidas sem causa clara (dor de cabeça, no estômago) que servem para faltar à escola;
- Marcas de machucados, roupas que escondem o corpo no calor, objetos cortantes escondidos;
- Uso de álcool ou outras substâncias;
- Falar sobre morte, sobre “não aguentar mais” ou sobre desaparecer, mesmo que pareça de brincadeira;
- Mudança brusca de grupo de amigos junto com segredo excessivo.
Se houver risco imediato
Menção a se machucar ou a tirar a própria vida, ou sinais de autolesão, pedem ajuda na hora. Procure uma unidade de urgência, ligue para o SAMU pelo 192 ou para o CVV pelo 188. Retire de casa o acesso a medicamentos e objetos perigosos e não deixe o adolescente sozinho.
Como abrir a conversa
- Escolha um momento calmo, sem plateia e sem pressa: no carro, numa caminhada, lavando a louça. Contato de olho direto às vezes trava; lado a lado costuma fluir melhor.
- Comece pela observação, não pela acusação: “percebi que você tem ficado mais quieto, queria entender como você está”.
- Ouça sem consertar. Evite “é só drama”, “na sua idade é assim”, “você não tem do que reclamar”. Validar não é concordar com tudo; é reconhecer que o sentimento é real.
- Não prometa segredo absoluto. Se houver risco, você vai precisar agir e buscar ajuda, e não há problema em dizer isso com cuidado: “se for algo sério, a gente resolve junto, mas eu não vou fingir que não vi”.
- Uma conversa não resolve tudo. Deixe a porta aberta: “pode voltar nesse assunto quando quiser”.
O papel do responsável no atendimento
O adolescente também pode ser atendido por videochamada. A participação e as autorizações do responsável legal são combinadas no primeiro contato, respeitando o sigilo médico dentro dos limites éticos e legais. Na prática, o adolescente tem espaço para falar, e o responsável é informado do que for necessário para o cuidado e a segurança.
Quando buscar ajuda
Se você está em dúvida se “é da idade” ou não, essa dúvida já é um bom motivo para uma avaliação. Um médico ajuda a entender o quadro, orienta a família e indica o cuidado mais adequado, que pode incluir acompanhamento, psicoterapia com psicólogo e, quando houver indicação, outras condutas.
Este texto é informativo e não substitui uma avaliação médica. Ele não serve para autodiagnóstico e não indica tratamento. Se algo aqui fez sentido para você, o caminho é conversar com um médico.
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